Quando as árvores caem, quem planta a semente?

“Um jovem de 14 anos, um jovem com um futuro brilhante pela frente, que já sabia o que queria não do seu futuro. Mas, infelizmente a polícia interrompeu o sonho do meu filho. A polícia chegou lá de uma maneira cruel, atirando, jogando granada, sem perguntar quem era. Se eles conhecessem a índole do meu filho, quem era meu filho, não faziam isso. Meu filho é um estudante, um servo de Deus. A vida dele era casa, igreja, escola e jogo no celular” Neilton Pinto, pai de João Pedro.

O jovem de 14 anos foi morto pela Polícia nesta noite. Segundo relatos das testemunhas, João foi baleado por policiais, que o levaram alegando que prestariam socorro. Apenas 12 horas após o ocorrido a família conseguiu localizá-lo, mas seu corpo já estava no IML.

O depoimento acima é do pai de João Pedro. A família dele chora, como tantas outras. É mais um jovem, mais um jovem preto, que tem sua vida, sua história e seus sonhos interrompidos pelo próprio Estado.

O Estado tem o dever de garantir aos cidadãos o direito à vida, à educação, à segurança, à saúde, ao lazer, dentre vários outros direitos fundamentais.

O que vemos, no entanto, é a ausência dessas garantias e, ainda pior, os agentes do próprio Estado impedindo que nossa população possa exercê-los. Esse modus operandi não é isolado, trata-se da continuidade de uma política secular de opressão e perseguição ao nosso povo preto.

Meus sentimentos à família de João Pedro.

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